Comissão é o assunto que mais desgasta relação dentro de estúdio. Quase nunca porque o percentual é injusto — quase sempre porque a conta não é clara, o acerto atrasa e cada mês tem uma regra diferente.
Os três modelos mais usados
- Percentual sobre a sessão. O mais comum: o artista fica com 50% a 70% do valor, o estúdio com o restante. Simples de explicar e alinha o interesse dos dois lados.
- Aluguel de cadeira (fixo mensal). O artista paga um valor fixo e fica com 100% do que fatura. Bom para artista consolidado com agenda própria; ruim para quem está começando, porque o custo existe mesmo em mês fraco.
- Modelo misto. Aluguel menor mais um percentual reduzido. Divide o risco entre estúdio e artista e é o formato que mais cresce em estúdio de médio porte.
Não existe modelo certo universal. Existe modelo coerente com quem traz o cliente: se a agenda vem do perfil do estúdio, o percentual do estúdio se justifica; se o artista chega com fila própria, o aluguel faz mais sentido.
Como definir o percentual
Comece pelo custo. Se o estúdio gasta R$ 9.000 por mês e fatura R$ 30.000, 30% do faturamento já está comprometido com estrutura antes de qualquer lucro. Um percentual de estúdio abaixo disso significa operar no vermelho — e é mais comum do que parece.
Considere também o que o estúdio entrega além do espaço: divulgação, atendimento, agendamento, material, recepção, sistema e emissão de nota. Cada item desses é custo real e justifica pontos percentuais.
Quem paga o material
Existem duas formas honestas de resolver, e ambas funcionam desde que estejam escritas:
- Estúdio fornece tudo e fica com percentual maior. Facilita padronizar qualidade e negociar compra, mas exige controle de estoque de verdade.
- Artista compra o próprio material e fica com percentual maior. Dá autonomia de marca e agulha, mas cria diferença de padrão entre artistas do mesmo estúdio.
O que não funciona é o meio-termo informal: estúdio comprando "às vezes" e cobrando "quando lembra".
Taxa de cartão e Pix: o detalhe que gera briga
Uma sessão de R$ 1.000 paga em crédito parcelado pode chegar líquida a R$ 950. A pergunta que precisa estar respondida antes: a comissão incide sobre o bruto ou sobre o líquido?
A prática mais transparente é calcular sobre o líquido recebido, mostrando a taxa no comprovante do acerto. Assim o artista vê que não é o estúdio ficando com a diferença — e passa a preferir Pix tanto quanto você.
As regras que precisam estar escritas
- Percentual por tipo de serviço (tatuagem, piercing, retoque, venda de produto).
- Como o sinal entra na conta e o que acontece com ele em caso de falta.
- Quem paga o retoque e em qual prazo ele é gratuito.
- Se a comissão incide sobre bruto ou líquido.
- Data de fechamento e data de pagamento.
- Regra para venda de produto e joia.
Uma página, assinada por todo mundo, resolve 90% dos conflitos futuros.
O acerto: prazo, comprovante e transparência
Acerto no fim do mês, feito na planilha e conferido de cabeça, é onde a confiança se perde. O padrão saudável é fechamento com data fixa, extrato sessão a sessão e pagamento em até dois dias úteis.
O artista deve conseguir ver, a qualquer momento, quanto já acumulou no mês. Isso reduz cobrança, reduz desconfiança e aumenta retenção de equipe — trocar de artista custa muito mais caro do que qualquer ponto percentual.
Como funciona na BLAKK
Na BLAKK, cada serviço tem a regra de comissão cadastrada por artista, e o cálculo acontece quando a sessão é fechada — considerando material, taxa de pagamento e retoque. O artista acompanha o próprio extrato pelo app.
Com o BLAKK Pay, o repasse é automático: a parte de cada artista cai direto na conta digital dele no momento do pagamento, sem transferência manual e sem acerto de fim de mês.