Agulha, cartucho, tinta, filme, luva, papel de transfer, vaselina, barreira para a máquina. Cada sessão consome uma lista de itens que, sozinhos, parecem baratos. Somados ao longo do mês, viram uma despesa pesada do estúdio, e quase sempre a menos acompanhada.
Quem não sabe quanto de material cada atendimento consome acaba cobrando no chute, comprando no susto e trocando de fornecedor pelo preço da etiqueta. Neste artigo, você vai ver como medir esse consumo, organizar os fornecedores e levar esse número para o preço.
Por que o custo de material fica invisível
O material do estúdio é comprado em caixa e usado em unidade. Você paga uma caixa de cartuchos num dia e gasta os cartuchos ao longo de semanas, em sessões diferentes, de artistas diferentes.
Na hora de olhar o resultado do mês, a despesa aparece de uma vez, desconectada dos atendimentos que a geraram. Isso cria duas ilusões: no mês em que você compra muito, parece que o estúdio foi mal; no mês seguinte, sem compras, parece que sobrou dinheiro.
Nenhum dos dois retratos está certo, porque o custo não foi ligado ao serviço que o consumiu. A saída é pensar em custo por atendimento: quanto de material sai da prateleira a cada sessão fechada. Com esse número, a conversa sobre preço, margem e compra fica bem mais concreta.
Como calcular o custo de material de uma sessão
Não precisa de planilha complexa. Comece pelos serviços que você mais vende e monte uma espécie de receita de consumo para cada um.
- Liste os itens usados. Separe o que é descartável e fixo (luvas, filme, barreiras, copinhos) do que varia conforme a peça (tinta, cartuchos).
- Descubra o custo unitário. Divida o valor pago pela caixa pela quantidade de unidades. Inclua o frete, se ele pesar na compra.
- Estime a quantidade por sessão. Uma peça pequena de traço fino consome bem menos que um fechamento de costas. Trabalhe com faixas por tamanho ou por tempo de sessão.
- Some e arredonde para cima. Sempre há perda: cartucho que cai, luva que rasga, tinta que sobra no copinho.
- Revise de tempos em tempos. O preço do fornecedor muda, e a sua receita precisa acompanhar.
Um exemplo hipotético: imagine que uma sessão pequena de fineline use um kit de descartáveis de R$ 18 e cartuchos e tinta que somam mais R$ 22. O custo de material dessa sessão fica em torno de R$ 40.
Se você cobra R$ 300 por ela, já sabe quanto sobra antes de pagar comissão, aluguel e impostos. Parece pouco, mas é esse tipo de conta que separa o estúdio que sabe a própria margem do que só descobre no fim do mês.
Fornecedores: registrar, comparar e não depender de um só
Ter um bom fornecedor é tão importante quanto ter uma boa máquina. Atraso na entrega de cartucho pode travar a agenda, e material de procedência duvidosa pode comprometer o trabalho e a segurança do cliente.
Algumas práticas ajudam a manter essa relação sob controle:
- Registre cada fornecedor. Nome, contato, o que ele vende e como costuma entregar. Compra feita pelo direct de alguém que só o dono conhece é compra que ninguém mais consegue repetir.
- Ligue cada compra a quem vendeu. Assim você descobre quanto gastou com cada fornecedor no mês ou no ano e ganha argumento para negociar.
- Compare custo por unidade, não preço da caixa. Caixas de tamanhos diferentes enganam.
- Tenha uma segunda opção. Para os itens críticos, conheça pelo menos um fornecedor alternativo.
- Não troque só pelo preço. Para itens que entram em contato com a pele, procedência e regularidade sanitária vêm antes do desconto. Em caso de dúvida, consulte a vigilância sanitária da sua cidade.
Erros comuns no controle de material
- Contar só a tinta. Os descartáveis somam mais do que parece, porque se repetem em toda sessão.
- Dar baixa de memória. Anotar o consumo depois, quando sobrar tempo, quase sempre significa não anotar.
- Comprar quando acaba. Sem um nível mínimo definido, a compra vira urgência, e urgência costuma sair mais cara.
- Misturar material do artista com material da casa. Quem compra o quê precisa estar combinado e registrado, ou ninguém sabe o custo real.
- Esquecer o material em projetos longos. Uma peça grande em várias sessões consome material em cada uma delas, e isso precisa estar no orçamento.
Se o seu problema maior é desperdício e organização da prateleira, vale ler também o artigo sobre estoque de materiais no estúdio.
Levando o custo de material para o preço
Com o custo de material por serviço em mãos, a precificação deixa de ser só uma comparação com o que os outros cobram. Você passa a conhecer o piso: abaixo de certo valor, aquela sessão não paga nem o que consome.
A lógica é direta: material, mais o tempo do artista, mais a parte que cabe ao serviço nos custos fixos do estúdio, mais a margem. O material é a parte mais fácil de medir, e por isso é a melhor por onde começar.
Vale olhar com atenção para as peças pequenas. Uma tatuagem minúscula usa praticamente o mesmo kit de descartáveis de uma peça média, então o custo de montar a estação pesa muito mais nela. Esse é o raciocínio por trás do valor mínimo por sessão.
Para aprofundar o cálculo completo, veja o guia de precificação de tatuagem.
Como funciona na BLAKK
No BLAKK, o consumo de material deixa de depender da memória. O estoque é baixado automaticamente quando você fecha a comanda ou finaliza a Ordem de Serviço, então o que saiu da prateleira fica registrado junto com o atendimento.
Os ajustes de estoque e o custo da mercadoria vendida entram nos lançamentos contábeis, o que ajuda a enxergar o custo real do período sem manter uma planilha paralela. O sistema também tem categorias de produtos, estoque mínimo e alertas, para a compra não virar urgência.
Os fornecedores são cadastrados no campo Favorecido das despesas, e assim cada compra fica ligada a quem vendeu. A Heya, a inteligência artificial do BLAKK, também cadastra fornecedores a pedido seu.
Veja os recursos de estoque em funcionalidades e, na Central de Ajuda, os artigos sobre despesas e lançamentos contábeis.