Antes da primeira agulhada, o cliente precisa saber o que vai acontecer, quais são os riscos e quais cuidados dependem dele. E o estúdio precisa conseguir mostrar, depois, que essa conversa aconteceu.
É para isso que serve o termo de consentimento. Neste post, você vai ver por que formalizar o consentimento, o que um termo costuma cobrir e por que vale trocar o papel pela assinatura na tela. Um aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica.
Por que formalizar o consentimento
Tatuagem e piercing são procedimentos que atravessam a pele. Existem riscos conhecidos, como reação alérgica, infecção por cuidado inadequado e cicatrização diferente do esperado. O cliente tem o direito de saber disso antes de decidir.
Uma conversa verbal, por melhor que seja, some da memória das duas partes. O termo transforma essa conversa em registro: o que foi explicado, o que o cliente declarou e o que ele aceitou.
Para o estúdio, isso traz organização e mais tranquilidade se surgir uma dúvida ou reclamação. Para o cliente, mostra profissionalismo e cuidado. Termo bem feito não é burocracia para fugir de responsabilidade; é parte do atendimento.
O termo também ajuda a alinhar expectativas. Quando o cliente lê que a cor pode variar na cicatrização ou que pode ser necessário um retoque, entende que isso faz parte do processo, e não um erro do artista.
O que um termo de consentimento costuma cobrir
Cada estúdio adapta o seu, mas a maioria dos termos trata de alguns pontos em comum:
- Identificação: dados do cliente, do estúdio e do profissional responsável.
- Descrição do procedimento: o que será feito, em que região do corpo e em quantas sessões, quando for o caso.
- Riscos e limitações: possíveis reações, variação de cor e traço na cicatrização, possibilidade de retoque.
- Declarações de saúde: que o cliente informou corretamente suas condições, normalmente em conjunto com a ficha de anamnese.
- Cuidados depois do procedimento: que o cliente recebeu as orientações e entende que parte do resultado depende dele.
- Menores de idade: como o estúdio lida com clientes que ainda não são maiores, conforme a orientação do seu advogado.
- Uso de imagem: se o estúdio pode publicar fotos do trabalho nas redes sociais.
A redação precisa ser clara. Termo cheio de juridiquês que ninguém entende não cumpre o papel de informar. E, como cada situação tem particularidades, o modelo final deve ser revisado por um advogado.
Papel ou digital: o que muda na prática
O termo em papel funciona até o dia em que você precisa encontrá-lo. As pastas acumulam, as folhas molham, a letra fica ilegível e o arquivo de anos atrás está numa caixa no fundo do depósito.
No digital, o cenário muda:
- Não se perde. O documento fica guardado no sistema, e não numa pasta que pode sumir.
- Fica organizado. Você encontra o termo pelo nome do cliente, sem folhear pilhas de papel.
- Vira histórico. Cada procedimento tem o seu registro, e dá para ver tudo o que o cliente já assinou.
- É legível. Os dados vêm digitados, sem letra difícil de entender.
- Agiliza a recepção. Menos prancheta, caneta e papel circulando no balcão.
Há ainda a questão da privacidade. Papel com dados de saúde guardado em armário aberto é um risco, enquanto o registro digital permite limitar o acesso a quem realmente precisa.
Sobre a validade da assinatura eletrônica e o que a legislação exige no seu caso, converse com um advogado. Ele vai orientar o formato mais adequado para o seu estúdio.
Boas práticas na hora de colher a assinatura
O termo só cumpre o papel quando o cliente realmente entende o que está assinando. Algumas práticas ajudam:
- Dê tempo para ler. Entregar o termo com a máquina já montada pressiona o cliente. Apresente com calma, de preferência antes de preparar a estação.
- Explique em voz alta os pontos principais. Riscos e cuidados merecem conversa, não só texto.
- Faça junto com a anamnese. As informações de saúde e o consentimento se completam.
- Repita a cada procedimento. Cliente que volta para outra tatuagem ou outro piercing assina de novo, com os dados daquele trabalho.
- Revise o modelo periodicamente. Entrou um serviço novo no catálogo, como micropigmentação? Reveja o texto com o advogado.
- Entregue as orientações de cuidado. O termo cita os cuidados, mas o cliente precisa do material completo depois da sessão, como mostramos no post sobre cuidados pós-tatuagem.
Erros comuns com o termo de consentimento
Mesmo estúdios cuidadosos caem em alguns deslizes com o termo:
- Copiar um modelo da internet sem revisão. O texto pode não servir para os seus serviços nem para a sua realidade.
- Tratar como formalidade. Cliente que assina sem ler não foi informado de verdade.
- Guardar sem critério. Termo que ninguém encontra quando precisa é quase o mesmo que termo nenhum.
- Esquecer o uso de imagem. Publicar a foto do trabalho sem autorização pode gerar desgaste com o cliente.
- Usar o mesmo termo para tudo. Tatuagem, piercing e micropigmentação têm riscos e cuidados diferentes, e o texto deve refletir isso.
- Colher a assinatura depois. Termo assinado com o procedimento em andamento ou já terminado perde o sentido de consentimento prévio.
Todos esses erros têm a mesma solução: tratar o termo como parte do atendimento, com modelo revisado, momento certo para assinar e um lugar seguro para guardar.
Como funciona na BLAKK
Na BLAKK, o termo de consentimento faz parte do atendimento: o sistema apresenta o termo ao cliente antes do procedimento, e o cliente assina o termo e a anamnese na tela. Esse recurso faz parte das funcionalidades de clientes da plataforma.
A anamnese também pode ser preenchida pelo próprio cliente, no celular dele, por meio de um QR Code. Assim, ele responde com calma, sem prancheta passando de mão em mão no balcão.
Independentemente da ferramenta, o conteúdo do termo deve ser revisado por um advogado. Este post não é orientação jurídica.
Para configurar os modelos de anamnese, consulte o artigo Modelos de anamnese na Central de Ajuda.